domingo, 5 de agosto de 2012

R.I.P Possível

Ele se foi.
Meu primeiro possante, minha primeira conquista pessoal da vida deu adeus pra nunca mais. Quando eu o vi todo machucado, amassado e quebrado na beira da Marginal, me deu um nó na garganta. Por sorte ninguém se machucou, só ele mesmo.

O meu carrinho foi a maior alegria da minha vida. Ele me deu mobilidade e liberdade, me levando pra cima e pra baixo, sem me dar nenhuma dor de cabeça. Vivia sujo e com os pneus no chão, mas era a coisa mais linda de se ver. A direção dele descascava pq já era velhinho e o rádio era a coisa mais old desse mundo, mas eu não me importava nem um pouco.
Não fazia um barulho, não quebrava uma peça, dormia na rua sem reclamar e era parte de mim. Mas, acabou!

Quando ele chegou pra mim em fevereiro de 2010, minha vida mudou e fui tomada por um misto de sensações. Alegria pela conquista, gratidão pela ajuda que meu irmão me deu, saudades de não ter minha mãe por perto para me ver conquistar algo tão bacana e medo de não conseguir pagar os seis conto restantes. Acho que o medo era maior que tudo, mas graças à Deus tudo deu mais que certo. Não só paguei as parcelas como gastei grana com seguro, gasolina, multas, consertos e a porra toda.

O Possível rodou bastante pela cidade de São Paulo e interior, quebrou muito galho do meu pai e do Rodrigo quando os dois estavam no cavalete, tomou chuva de vidro aberto, me levou pro hospital quando me internei, pro Morumbi pra ver o Tricolor e pra academia que fica aqui na esquina de casa (sim, na esquina de casa).

Possível se foi numa noite de quarta-feira bem tensa. Morreu no dia em que o time dos Gambá ganhou do Vasco da Gama da  e avançou pras semi finais da Libertadores. Ainda bem que morreu antes de ver tal desgosto como esse. Meu carrinho atropelou um outro carro mais novo do que ele e que estava parado NO MEIO da pista da Marginal pra trocar um pneu e detalhe: havia um acostamento à uns poucos metros dali.

PT total. Todo torto, amassado, desconjuntado estava o pobre. Graças ao bom Deus, meu irmão estava bem (era ele quem dirigia naquela noite). A batida foi bem feia e poderia ter sido pior.

Enfim, todo aquele trâmite que imita uma morte na vida real: Liga pro guincho (pede socorro), chega o reboque (vem a ambulância), faz o BO (explica o que aconteceu), leva pro pátio do Detran (vai pra UTI) e espera o veredito final (aguarda a causa mortis).
Meu prateadinho morreu, mas como havia seguro, eu poderia receber o valor de tabela do carro.

Meses atrás eu havia cogitado a ideia de vender o Possível. Desisti pq como ele era velhinho (ano 2003), eu pegaria muito pouco nele e como o carro ainda estava bom para aquilo que eu precisava, desencanei de vender e decidi juntar uma grana pra viajar (rá, novos destinos pintam por aí!).

O Possível foi tão bom pra mim que além de ter aparecido de maneira inesperada e de ter me emocionado tanto (conto tudo aqui), foi embora de maneira trágica, mas me trouxe todo o dinheiro investido nele de forma integral. Ele se foi antes de ser trocado por outro e como agradecimento parece que me disse: "Toma aí todo o dinheiro investido em mim para que você possa ter algo melhor. Ah, e fica com o troco pra você se esbaldar na sua próxima viagem".

Ele se foi em maio de 2012. Vivemos um ano e três meses de companhia mútua e lembranças que jamais serão esquecidas. Hoje, três meses após sua partida decidi contar nossa história. A verdade é que me dói o coração chegar aqui na rua e não o ver estacionado próximo à guia, naquela esquininha onde o deixava dormir noites sem movê-lo de lá. A roda vivia branca de tanto raspar no meio fio e hoje, meu coração vive numa saudade imeeensa sem você por aqui, meu primeiro carro!

Um comentário:

  1. R.I.P ... meus sentimentos...morreu feliz, não viu o maior rival levantar aquela que todos diziam impossível ou só em outra vida..

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