segunda-feira, 27 de agosto de 2012

AGOSTO FABULOSO!

Eu não sei qual é a cisma que as pessoas tem com agosto. Mês de cachorro louco, mês que não passa, mês mal visto. Coitado! É igual a sexta-feira 13, pobrezinha! Eu prefiro uma sexta 13 do que qualquer segunda-feira que seja, na boa, véio!
Pra falar a verdade, eu nunca tive problemas com agosto e nem acho que o mês oito é feio. Se o negócio é odiar algum mês, minha preferência de ódio vai para os meses de junho e julho. Não gosto desses dois pq tem nomes iguais e me confundem o ano todo. Fora que é inverno, faz um frio foda nessa época e eu odeio essa estação. 

Agosto tem seu charme, vai, gente. É o prenúncio da primavera, é mês par e depois dele, já estamos com um pezinho no ano novo. E nos últimos dois anos, o mês do cachorro louco tem sido generoso e marcante na minha vida. Ano passado, agosto me levou pra Europa. Neste ano, agosto me levou pra concessionária da Ford. 

Comprei meu carro novo, meu Deus do céu! Coisa linda. Foi assim, inesperadamente, como da primeira vez. Ele é pretinho, é mais veloz, mais novo, tem mais portas e um volante molinho! Diferente do que aconteceu com o Possível, me sinto mais tranquila com relação aos meus medos e inseguranças. Tudo vai dar certo e meu novo possante será quitado em suaves parcelas sem neurose.

O novo xuxuzinho da mamãe é irmão mais velho do Possível, afinal também é um Fiesta. Eu sou fiel à namorado, time de futebol e marca de carro (Oi Ford, eu te amo! - e essa frase não foi patrocinada, uma pena!). Ele deve chegar no final da semana ou no comecinho da próxima. Ainda vai ser lavado, polido e revisado. 

O domingo que já estava com gostinho especial ficou ainda melhor com a vitória do meu Tricolor de virada, em cima da gambazada. Luis Fabiano deu até drible da vaca no goleirinho e nos deu a vitória dentro do Pacaembu lotado. Meu novo meio de transporte foi batizado assim, como que com um raio, um lampejo de felicidade e agora vai atender pelo nome de FABULOSO!

E que agosto continue assim, odiado por todos, menos por mim. Surpreenda-me!




terça-feira, 7 de agosto de 2012

Fica combinado assim!

11 anos se passaram. ONZE.
A saudade é a mesma de sempre. De sempre, mesmo.
Aquele aperto no escuro, antes de dormir, sabe? Eu sei bem. E como sei.
A pior dor desse mundo pq nunca some, nunca muda.
A casa vazia, o coração vazio, as lembranças batendo, a vida passando e a falta aqui presente. É isso. A falta presente. Como pode? Pq pode? Não pode!

Filho nenhum merece ficar sem mãe. NENHUM. Nem filho de rato que nasce pelado no meio do mato. Principalmente eles, né? Tadinhos!
Mãe, eu não sei onde você está e nem se você me vê, mas olha, somos tão parecidas em certas coisas, sabe? Acho que ninguém percebe, mas eu sei que somos. Manias, trejeitos, preocupações, jeito de ser. Coisas boas e ruins, mas que tento fazer com que sejam sempre melhores.

Eu preciso de você. Todo dia! Mas às vezes eu vejo que tenho forças pra passar por cima da dor, da falta. Tem horas que eu queria era te emprestar pro meu irmão, só para que você pudesse acalmá-lo quando ele fica aflito e com dores de estômago. Te emprestar, né? Hahaha, como assim? Não te tenho nem pra mim, como vou te emprestar pra ele?
Mas olha, fica combinado assim, se você tiver que aparecer pra dar um OI, pode falar com ele. Os mais velhos sempre tem prioridades, viu?!

domingo, 5 de agosto de 2012

R.I.P Possível

Ele se foi.
Meu primeiro possante, minha primeira conquista pessoal da vida deu adeus pra nunca mais. Quando eu o vi todo machucado, amassado e quebrado na beira da Marginal, me deu um nó na garganta. Por sorte ninguém se machucou, só ele mesmo.

O meu carrinho foi a maior alegria da minha vida. Ele me deu mobilidade e liberdade, me levando pra cima e pra baixo, sem me dar nenhuma dor de cabeça. Vivia sujo e com os pneus no chão, mas era a coisa mais linda de se ver. A direção dele descascava pq já era velhinho e o rádio era a coisa mais old desse mundo, mas eu não me importava nem um pouco.
Não fazia um barulho, não quebrava uma peça, dormia na rua sem reclamar e era parte de mim. Mas, acabou!

Quando ele chegou pra mim em fevereiro de 2010, minha vida mudou e fui tomada por um misto de sensações. Alegria pela conquista, gratidão pela ajuda que meu irmão me deu, saudades de não ter minha mãe por perto para me ver conquistar algo tão bacana e medo de não conseguir pagar os seis conto restantes. Acho que o medo era maior que tudo, mas graças à Deus tudo deu mais que certo. Não só paguei as parcelas como gastei grana com seguro, gasolina, multas, consertos e a porra toda.

O Possível rodou bastante pela cidade de São Paulo e interior, quebrou muito galho do meu pai e do Rodrigo quando os dois estavam no cavalete, tomou chuva de vidro aberto, me levou pro hospital quando me internei, pro Morumbi pra ver o Tricolor e pra academia que fica aqui na esquina de casa (sim, na esquina de casa).

Possível se foi numa noite de quarta-feira bem tensa. Morreu no dia em que o time dos Gambá ganhou do Vasco da Gama da  e avançou pras semi finais da Libertadores. Ainda bem que morreu antes de ver tal desgosto como esse. Meu carrinho atropelou um outro carro mais novo do que ele e que estava parado NO MEIO da pista da Marginal pra trocar um pneu e detalhe: havia um acostamento à uns poucos metros dali.

PT total. Todo torto, amassado, desconjuntado estava o pobre. Graças ao bom Deus, meu irmão estava bem (era ele quem dirigia naquela noite). A batida foi bem feia e poderia ter sido pior.

Enfim, todo aquele trâmite que imita uma morte na vida real: Liga pro guincho (pede socorro), chega o reboque (vem a ambulância), faz o BO (explica o que aconteceu), leva pro pátio do Detran (vai pra UTI) e espera o veredito final (aguarda a causa mortis).
Meu prateadinho morreu, mas como havia seguro, eu poderia receber o valor de tabela do carro.

Meses atrás eu havia cogitado a ideia de vender o Possível. Desisti pq como ele era velhinho (ano 2003), eu pegaria muito pouco nele e como o carro ainda estava bom para aquilo que eu precisava, desencanei de vender e decidi juntar uma grana pra viajar (rá, novos destinos pintam por aí!).

O Possível foi tão bom pra mim que além de ter aparecido de maneira inesperada e de ter me emocionado tanto (conto tudo aqui), foi embora de maneira trágica, mas me trouxe todo o dinheiro investido nele de forma integral. Ele se foi antes de ser trocado por outro e como agradecimento parece que me disse: "Toma aí todo o dinheiro investido em mim para que você possa ter algo melhor. Ah, e fica com o troco pra você se esbaldar na sua próxima viagem".

Ele se foi em maio de 2012. Vivemos um ano e três meses de companhia mútua e lembranças que jamais serão esquecidas. Hoje, três meses após sua partida decidi contar nossa história. A verdade é que me dói o coração chegar aqui na rua e não o ver estacionado próximo à guia, naquela esquininha onde o deixava dormir noites sem movê-lo de lá. A roda vivia branca de tanto raspar no meio fio e hoje, meu coração vive numa saudade imeeensa sem você por aqui, meu primeiro carro!