terça-feira, 31 de julho de 2012

Porto

Cheguei na terrinha do meu pai, dos meus avós e senti uma alegria imensa! Logo cedo o trem nos deixou na estação Santa Apolônia e lá nos informamos sobre onde pegar o metrô. Este país era nosso último destino e as malas estavam mais pesadas do que nunca. Descemos na estação Bolhão e partimos rumo ao hotel Tryp, localizado no centro do Porto. Apesar do hotel estar localizado na Rua da Alegria, o que eu senti foi tristeza ao ver o naipe da rua que nos levava até lá: LADEIRA COM PEDREGULHOS NA CALÇADA! Pensa na cena: eu, com 1,56 de altura e 50kg arrastando uma mala repleeeeeeta de coisas e mais uma mochila nas costas subindo aquelas ruas íngremes, numa calçadinha minúscula cheia de paralelepípedos. Juro, cheguei a ver a luz no fim do túnel, achei que fosse morrer sem ar pra respirar. O hotel ficava no número 685 e a numeração da rua parece que ia crescendo de dois em dois, apenas. DESESPERADOR!

Chegando no hotel (TRYP)toda suada e mortinha com farofa, nos deparamos com um quarto agradável. Pequeno, mas aconchegante. Com chuveiro e bom e banheirinha gostosa.
Depois de nos recompor com um banho, fomos conhecer o Porto, lugar onde meu pai nasceu. O Centro do Porto é lindo, as igrejinhas e os azulejos azuis começaram a dar o ar da graça. Dom Pedro IV e o Infante Dom Henrique são mitos por lá e não é por menos, são os grandes descobridores de Portugal.

Estar no Porto foi especial pra mim. Terra em que nasceu meu pai e meus avós, lugar que muito ouvi falar por eles e que o meu próprio pai teve apenas uma única oportunidade de conhecer. Era praticamente um bebê quando veio pra cá o meu paizinho. Com apenas dois anos de idade, passou dias dentro de um navio rumo ao Brasil. Ele, minha avó e mais três filhos. Vieram atrás do meu avô que estava servindo o exército no RJ. A verdade é que minha avó correu para o Brasil com medo de perder o marido.

Enfim, retomando... Quis ir para Portugal pra conhecer as raízes de minha família, este foi o motivo principal. Achava que não ia curtir muito, que seria uma terra de gente velha, sem nada pra fazer e etc.. Fui enganada
completamente! Assim que saí pelo centro do Porto e me deparei com o primeiro azuleijinho azul da Capela das Almas de Santa Catarina senti que aquele lugar era especial.

O centro é movimentadíssimo, limpo e repleto de construções antigas. Igrejas, monumentos, lojas... tudo feito anos atrás, só o metrô que é novo ainda (não tem mais de 20 anos!). Estávamos perto da estação Bolhão e para chegar ao centro, a estação Aliados é a opção.

Igrejas são um espetáculo a parte. Tem gente que não gosta de conhecer este tipo de lugar, mas eu adoro! As roupas penduradas nas janelas e as casas construídas em ladeiras dão o toque especial do Porto. As bandeiras do país tb estão em toda parte, mostrando o imenso orgulho que os patrícios tem em exibir suas cores.

Ficamos poucos dias por lá, apenas 3 noites, sendo que na terceira me aventurei pelo "interior" da cidade com o intuito de chegar em Lourosa, uma aldeia do Porto onde meu pai nasceu, mas a missão não foi nada fácil. Sem conhecer o caminho, passamos horas esperando um ônibus que não veio e perdemos um dia de passeio e não chegamos no destino.

O que posso dizer do Porto é:

- Visite a estação São Bento. De lá, saem todos os trens para as outras localidades da cidade. Toda feita de azulejos e com um letreiro de "chegadas e partidas" das antigas tem um clima bacana!

- Vá no Terreiro da Sé, uma das principais catedrais do Porto. Linda e grande, fica no alto de uma rua onde a vista é incrível! Seus caminhos, escadas e ladeiras levam à beira do rio Douro

- Aprecie a vista do Rio Douro dos dois lados da margem. De um lado, uma grande praça com quiosques/barzinhos servindo cervejas e porções, com músicos cantando Martinho da Vila, barraquinhas vendendo panos de prato estampados com o famoso Galo de Barcelos são as atrações.

- Do outro lado há restaurantes servindo queijos e vinho verde e um pequeno gramado onde muitos se deitam para apreciar o pôr do sol. Eram 20h quando eu vi a tarde ir embora com um pôr do sol maravilhoso, cheio de cores!

- No meio dos dois lados do rio, há a Ponte Luís I construída em 1886. Dizem que o mocinho que a projetou foi aluno de Gustavo Eiffel (sim, ele mesmo, o top!). Só por isso eu já botei fé na tal ponte :)


- Não conheci o Palácio da Bolsa que estava fechado naquele dia, mas dizem que é incrível! O Palácio é a sede da Associação Comercial do Porto e serve agora para os mais diversos eventos culturais, sociais e políticos da cidade.


- Conheça a igreja de São Francisco, a mais linda do Porto, feita com mais de 400kg de ouro. Uma pena que não pude fotografar lá dentro, mas olha, é uma das coisas mais impressionantes que já vi na vida!

- Visitamos também o Museu do Vinho do Porto, na beira do Douro, mas não recomendo. Lá dentro tem um monte de barril, roupas e louças velhas e muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuiiiiiita papelada antiga exposta. Nada interativo, nada emocionante, nada de nada. Não passem por isso!

- Conheci o estádio do Dragão apenas por fora. Não consegui visitar o estádio por dentro e nem assistir um joguinho, uma pena. Mas me acabei na lojinha do Porto e trouxe presentes pra toda família!

O que eu posso dizer é que aquela cidadezinha é linda e especial. Fiquei encantada por estar na mesma terra que meus parentes paternos. Uma pena não ter chegado à Lourosa, mas confesso que saí de lá querendo levar meu velho, mais uma vez, para desfrutar daquele lugarzinho por muitos dias, como ele não conseguiu fazer.