terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Caminhando com papai

Por conta deste inchaço que invade meu pequeno corpo de 1,56m, decidi que precisava aderir a um COMBO de atividades para poder voltar à antiga forma – que não é lá das melhores, mas é infinitamente melhor do que a atual. O combo consiste em: comer bem e de maneira certa, fazer drenagem linfática, passar a frequentar uma academia, beber muita água e caminhar. É coisa pra cacete e a gente faz o que pode. Como comer bem e de maneira correta tomando essas bolas que me fazem querer devorar o mundo de meia em meia hora? Como fazer drenagem sendo que o pacote com dez sessões é mais caro que minhas despesas mensais? Como fazer academia sendo que todo mundo vai parar na semana do Natal e só retornam ao trabalho depois da primeira semana de janeiro? Beber água, ok. É de graça! Caminhar também dá, desde que se acorde cedo, muito cedo.


Como me sobrou apenas estas duas opções, lá estou eu, toda semana (pelo menos duas vezes) andando, logo após o cantar do galo. O meu pai é minha companhia e ele chega em casa arrastando a porta às 6h da manhã. A experiência é muito divertida, tenho que admitir.

Nos primeiros dias ele caminhava de papete, mas aí eu disse que o mais indicado seria usar um tênis e desde então ele mudou o calçado. Só o hábito de fumar após o exercício é que eu não consegui eliminar e nem me esforço muito pra isso porque não vai rolar.

O fato é que como andamos por cerca de 45 minutos, ele vai me narrando todo o seu dia a dia que é repleeeeeeeeeeeeeeeeeeeeto de acontecimentos marcantes (porra nenhuma, mas beleza). Ele fala e anda com toda aquela barriga e eu não sei como não falta fôlego pro véio, sério mesmo. É de se admirar!

Ele conta os casos da sua mulher, das contas que tem que pagar, da cachorra que comeu o fio do telefone, do Tricolor que tá uma barca furada, conta piada, relembra o passado, fala do médico e assim a gente segue na passada todas as manhãs.

Hoje nós tivemos um breve debate sobre o Natal. Ele ficou chateado porque não passamos o dia 24 com ele e começou a choramingar. Eu, querendo explicar o porquê de não estar presente neste dia e sim no dia seguinte, 25, gerou um pequeno bate boca. Nada de exagerado às 6h30 da manhã no meio parque, coisa tranquila mesmo (NOT!). Nesse momento eu pude perceber que sou igualzinha ao meu pai, impulsiva, que fala sem parar e que não deixa as pessoas terminarem o raciocínio. Imaginem como foi o nosso bate papo... Gente do céu!

No final das contas ficou tudo bem. Eu entendi os motivos dele e ele entendeu os meus. Tudo se apagou como num passe de mágica. Acho que até nisso nós somos iguais, na capacidade de superar uma discussão com tanta rapidez. Pra quê ficar remoendo tanto um assunto que tem diferentes pontos de vista, né?! Meu pai apela demais pro sentimentalismo e isso me irrita um pouco. Acho que é coisa de pisciano, pois por mais que eu seja parecida com ele em alguns aspectos, não sou tão mimimi assim – e tenho certeza que também não ficarei desse jeito quando envelhecer. Ou ficarei? Ai meu Deus, será?

Bom, só sei que de qualquer maneira está sendo bem legal ter esses momentos matinais com o meu pai. Gosto muito quando ele diz que não estou gorda e sim um filézão e também quando ele faz sons com a boca (estilo pedreiro, sabe?) quando eu passo de pijama na frente dele antes de me trocar para a caminhada. É tão incentivador!

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