quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Eu ESCOLHI ser Tricolor!

Todo mundo se orgulha de ostentar o conceito: "Torço pra tal time desde criancinha!". Eu não carrego essa frase pq comigo não foi assim. Nem comigo e nem com meu pai.

O velho, nascido em Portugal, viveu até sua adolescência obrigado a torcer para Portuguesa de Desportos pq tinha que agradar (e obedecer) seus pais. Apaixonado por futebol, jogador de várzea, botinudo e cabeludo, Papai vivia enfrentando peneiras pq queria se profissionalizar, mas não deu certo. Seu Toninho, finalmente se assumiu São Paulino graças à Roberto Dias (zagueirão da década de 70).

Quando eu nasci, Papai me vestiu de Tricolor e passou a vida me doutrinando. Vim ao mundo, em 83, o São Paulo Futebol Clube só tinha 48 anos (time jovem, porém promissor). Meu Pai tinha 34 e minha mãe, 36 anos. Meu irmão Rodrigo, tinha 8 anos e já estava seguindo o caminho futebolístico escolhido pelo nosso Pai. Só minha mãe fugia à regra e era nossa arqui-rival: Corinthiana.

Desde muito pequena moro no bairro do Tatuapé, reduto de... Corinthianos. A maior parte da minha infância, morei na Rua São Jorge, reduto de... Corinthianos. Frequentava o clube do Corinthians, morava há 10 passos da piscina, já abracei o Biro-Biro e sempre via o Sr. Vicente Mateus passeando por aquelas bandas. Ou seja, estava prestes a sucumbir à uma lavagem cerebral sem tamanho, afinal, eram muitos pontos a favor do time da Marginal.


Quando eu estava perto do meu Pai, me dizia São Paulina, mas quando via minha mãe torcendo sozinha, sem apoio nenhum para o seu time de coração, eu titubeava.
Eu precisava de um chacoalhão, algo que me fizesse decidir, de uma vez por todas, para qual time de futebol eu iria torcer. Afinal, era impossível não gostar de futebol dentro da minha casa.

A resposta veio. O ano era 1991, eu tinha oito anos de idade, o jogo da vez era Corinthians e Palmeiras (ou vice-versa). A famosa cusparada que o Neto deu no juíz José Aparecido foi o fato crucial que me fez decidir, de uma vez por todas, que Corinthiana eu não seria, jamais!
Eu era menina, mas aquele gesto me marcou muito, me envergonhou de verdade, e eu não sei explicar como aquilo me influenciou tanto. [Já contei o fato aqui e aqui).\

A partir daí, eu decidi ser Tricolor. Lembro da primeira camisa que ganhei. Era da época da IBF e o número era o 8, justamente no ano em que o São Paulo ganhou o seu terceiro campeonato brasileiro. Após isso, vieram as primeiras conquistas internacionais de maior importância: Libertadores da América e Mundial Interclubes. Eu vi tudo isso! E vi a cena se repetir em 2005. Muita alegria!

Vi ídolos passarem pelo Morumbi e marcarem a minha vida. Telê, Zetti, Raí, Muller, Cafú, Palhinha, Denílson, Dodô, Kaká, França, Amoroso, Luizão (o menino Luizão!), Aloízio, Mineiro, Toninho Cerezo, Josué, Leonardo, Luís Fabiano, Lugano, Muricy Ramalho, Rogério Ceni e muitos outros... Sem contar aqueles que não vi jogar, mas sei de histórias: Leônidas da Silva, Canhoteiro, Pedro Rocha, Serginho Chulapa, Forlán, Darío Pereyra, Careca, Silas, Chicão, Pita, Gerson, Poy...


Eu vi até goleiro fazer gol, tem noção? Meu goleiro-artilheiro tem quase CEM GOLS em sua carreira. Não é pra qualquer um!
Hoje, meu time de coração completa 75 anos de vida, de história, de muitas alegrias e algumas tristezas (poucas, mas que também fazem parte da trajetória). Um clube vitorioso, estruturado, com torcedores apaixonados e mal acostumados. Soberano em Campeonatos Brasileiros, em Libertadores e Mundiais. Colecionamos troféus e uma história muito bonita.

Fico aqui imaginando como será nossa camisa quando tivermos 100 anos de idade. Quantas estrelas a mais teremos em nosso manto sagrado? Quero estar viva para comemorar as conquistas futuras.
Por isso, tenho orgulho em bater no meu peito - que é vermelho, preto e branco - e dizer: EU NÃO NASCI TRICOLOR, EU ESCOLHI SER!!

Parabéns Meu São Paulo. Obrigada por tudo.
O dia em que tú não existir, eu não quero sorrir nunca mais.

4 comentários:

  1. A d o r e i esse post. Indentifiquei-me. Mãe palmeirense, pai tricolor, irmão tricolor, outra irmã palmeirense. Preferi ser alvi-verde e to me fodendo até os dias atuais. Tem um sapo enterrado no Palestra Itália, e deve ser algum corintiano do Tatuapé que saiu do terreiro com ele amaldiçoado. Fazer o que... Bj

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  2. Lindo post, Roberta, parabéns! Emocionante.

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  3. Ai prima, que orgulho!! Estaremos sempre juntas pra ver as glórias do Tricolor e cantar: ãh, ãh, Independente Talebã!// Oh Juliana libera a Patchimina!!!!!!

    O bom é que nosso time tbem nos une como família!!! Somos, sim, uma bando de tricolor que invade o Morumbi e sempre pra gritar: É CAMPEÃO!!!!!!

    Só tem um ídolo q vc esqueceu e isso não pode, ED CARRRRRRLOS!!!!!!!! ahahahahahahahaha

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  4. Branquela, mesmo sendo palmeirense VERDE, amei sua declaração de amor pelo São Paulo. Lindo, me emocionei. Parabéns brancas!!!!!

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