segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Devolvam meu papel e minha caneta

Não tenho mais familiaridade com papel e caneta. Não sei mais segurar a dita cuja e nem escrever com letra bonita em um pedaço de papel. Isso me deixa muito triste.
Eu tinha uma letra tão linda, tão redondinha, mas agora ela virou isso aqui: um bando de caracteres que muda conforme a fonte.
Não tenho mais coordenação motora e mal consigo escrever em cima da linha nos cadernos. Logo eu que sou louca por cadernos novos e amo colecionar canetas coloridas. Logo eu que vivia fazendo diários, cadernos de músicas e escrevendo cartas para minhas amigas. Que decepção!
Parece que esse avanço tecnológico levou embora um pouco de mim, das minhas raízes, do meu passado.
Lembro da minha época escolar... dos meus cadernos encapados com papel pardo e etiquetados com aquele adesivo quadrado indicando a matéria correspondente ao caderno. Foi sempre assim, da minha 1º até a 4º série do ensino fundamental (que hoje nem deve mais ter esse nome).
Depois, no ginásio, eu comecei a escrever nos cadernos maiores, com espiral. A Tilibra fazia umas capas sensacionais, que era unânime na época, todo mundo tinha o mesmo tipo de caderno e com o mesmo desenho na capa.
Também lembro dos trabalhos que fazia à mão. Ia à biblioteca e pesquisava sobre o assunto. Copiava tudo que achava importante dos livros para as folhas de almaço e pronto, estava feito - o trabalho e o calo no dedo anelar da mão direita (sim, eu apoio a caneta no dedo anelar. Ou apoiava... já nem sei mais).
Hoje em dia eu nem tenho mais o calinho. Ele inchava, ficava vermelho e amassadinho no meio. Que saudade dele.
O que me resta atualmente são as tendinites de tanto teclar e passear com o mouse, para lá e para cá, o dia todo. Compartilho minhas letrinhas numa folha em branco virtual de Word e sem linhas, e mesmo assim, consigo escrever retinho.
Coisa de louco. Nunca pensei que as coisas seriam desse jeito. De qualquer forma, carrego em minha bolsa um estojo transparente repleto de canetas, lápis e apontador. E eles sempre me socorrem quando preciso.

Aliás, tenho uma caneta roxa, linda, com a ponta fina e que escreve meio molhado, sabe? Se fosse nos anos 90, eu faria um estrago com ela. Letra linda, desenhos, cores e etc...
Mas hoje eu só me restou isso aqui.

2 comentários:

  1. Ai amiga, infelizmente hj compartilho do mesmo drama que vc. E olha que eu nunca tive a letra linda como a sua e a da Fernanda, lembra? Cartas e mais cartas com os pseudônimos dos meninos....hahaha! Que saudades daquela época! Tenho uma carta sua, uma carta de aniversário de pouco tempo,acho que uns 3 anos, onde vc fala que quis escrever como nos velhos tempos! Sinto saudade, muita saudade das manhãs na biblioteca e dos almoços na sua casa pq era do lado, sempre o grupinho, sempre as mesmas...saudades de tudo, até das canetas...rs!

    ResponderExcluir
  2. Tô contigo branquela. Aliás ir na biblioteca era o máximo, escrevia pra caramba, mas adorava. Minha letra nunca foi linda, mas adorava escrever. Hoje tb é um garrancho só. Saudades dessa época como muitas outras...bjks

    ResponderExcluir

Senta o dedo aí!