segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Carta de um São Paulino ao Sport Clube Corinthians Paulista

O texto abaixo é de autoria do meu irmão. Ele postou em seu Facebook, mas achei a parada tão bacana que resolvi ceder um espaço para ele aqui em meu blog.
Imagino como deve ter sido emocionante para ele voltar à um lugar que o marcou tanto. Ele sempre lembra desses momentos.
Eu vivi pouca coisa na Rua São Jorge. Era muito pirralha e não tinha dimensão da coisa. Tenho algumas fotos de biquini, com baldinho nas mãos seguindo rumo ao Sport Clube Corinthians Paulista. Lembro que aquele título de sócio era como uma relíquia pra minha mãe. Esses dias encontrei a carteirinha de sócia com o nome dela.

Bom, o texto fala de Corinthians. E acho que pode fazer parte das comemorações do Centenário do clube.

***

"Passei a tarde de domingo no Corinthians (construindo o perfil de um atleta para uma reportagem). Há 20 anos que não frequentava o clube; fiz isso por uns 15 anos na infância e adolescência. Morei na 3ª casa da Rua São Jorge, a 20 passos do clube. Era sócio do Corinthians. São-paulino, fiz campanha pro presidente Vicente Mateus (aquele do Lero-Lero). Ali, defendi o
clube jogando Futsal, Futebol de campo e Basquete.

De forma amadora, disputei campeonatos de Peteca, Tamboréu, Tênis e Natação. Apelido: Formiga. Tamanho na época: 1,60 (tá explicado?) Acordava e ia para o clube às 8h – todo dia. Ali, ficava até o almoço. Apitava jogo de vôlei (com 12 anos) dos coroas, nadava, jogava sinuca e ganhava uns lanches de umas madames joiadas que me bajulavam dizendo que “eu tinha olhos verdes bonitos”. Vai vendo se elas eram ligeiras!
À noite, eu ia pro colégio e, depois, voltava pro clube para correr atrás de uma bola qualquer.

Bom, a primeira sensação ao retornar foi ver que algumas já não são impressionam como antes. O trampolim e o ginásio já não parecem mais tocar o céu – uma pena! Mas muitas coisas estavam do mesmo jeito. O forno onde os banhistas tomavam sol tava lotado; a piscina meia-lua, vazia, o
pagode no bar do Ginazião comendo solto. As traves das quadras descobertas ainda são feitas da junção de canos de ferro (encontrei, em uma delas, uma marca que cravei com uma chave,
após um treino). E, claro, estavam lá “tia” varizenta desfilando de biquíni e pochete e os “nóinha forgado” andando como se batesse asa pra voar. É Zona Leste maluco! Deu sede. Tomar água no bebedouro – que ainda era do mesmo jeito – foi como assistir a um filme.

Lembrei da minha mãe. A única corinthiana da família que, sábia, ficava na neutralidade dentro da nossa casa para não desagradar a família são-paulina (eu, meu pai e minha irmã). Aquela era sábia! Minha mãe tinha como amigos o Valdir Perez, o Biro-Biro, o Márcio Bittencourt, jogadores do Corinthians que faziam um pit-stop em uma locadora de vídeos vizinha da nossa casa.

Eu via esses caras direto. Na Fazendinha, eu ficava na arquibancada devolvendo para o campo as bolas que uns pernas de pau chutavam longe, tipo a porca do Neto. Bom, aproveitei que estava no clube e fui atrás pra saber a quantas andava o título patrimonial do meu pai. Lembro até hj o nºda matrícula: 200.659. Teria de pagar R$ 1,3 mil pra regularizar tudo e transferi-lo
pro meu nome. Deixa quieto. Decidi que, do Corinthians, quero que fique na lembrança as histórias da infância e da adolescência. Não quero que outra passe por cima daquelas. O rolê de 6hs que fiz esse domingo já havia feito valer o dia.

Moro na Zona Leste; me criei lá. Tenho o espírito do lugar onde o Corinthians tá erguido: Tatuapé. Ainda moro nesse bairro, um lugar com uma atmosfera que parece não permitir que a urbanidade chegue de vez. Sou nostálgico como muitos aqui – coisa de português tb, eu sei. E quer saber: acho isso tudo que me circunda bom pra minha sanidade. Com o meu time em baixa no futebol, fazia tempo que um clube não me emocionava num domingo à tarde. Salve o Corinthians!"

6 comentários:

  1. Que texto divino amiga, me emocionei com as palavras do seu irmão...lindo!

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  2. Lindo, lindo, lindo! Salve o todo poderoso TIMÃO!

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  3. Pensar que sou fãzasso do Márcio Bittencourt ... Achei legal demais esse depoimento .
    Parabéns o/

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  4. Adorei a nostalgia. Mas Palmeirense e anti corintiana como sou, não curti o Salve aí no final rsrsrsrs. O texto é lindo e as "mémorias" aí descritas, como diz um amigo meu, "é só pra quem viveu" Adorei

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  5. Falta pouco para a conversão total. Amém.

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