sexta-feira, 30 de julho de 2010

"Drão, não pense na separação..."

Eu estava lendo a revista TPM de julho. Na seção “Gogó”, uma pergunta foi feita para quatro mulheres: “Qual música gostaria que tivesse sido feita para você?”.
Esta era a deixa que eu precisava pra escrever sobre uma música linda, com uma história sensacional que só soube o verdadeiro significado nesta semana. Estava tentando achar um gancho pra falar sobre a canção, ou algo que me inspirasse e, de repente, me deparei com essa questão na revista.

Eu estou falando da canção “Drão”, de Gilberto Gil. Música linda, letra sensacional e escrita em um momento delicado, e mesmo assim, mostra que foi feita com tanto amor, tanta suavidade que até conforta o coração mais aflito.
Eu já tinha ouvido falar que o Gil compôs essa música para sua mulher, mas na verdade, ela foi composta para a ex mulher Sandra, no momento da separação do casal. O nome “Drão” vêm de um apelido que ela tinha na adolescência: Sandrão. Aí, o santo Google me levou a uma entrevista que a própria Drão deu para a revista Marie Claire em 2000, onde explica tudinho sobre o término da relação e alguns versos da música. É de arrepiar. Vale a pena ler a história aqui.

Pois bem, no instante em que eu li o questionamento da TPM sobre a canção que as mulheres gostariam de receber como declaração de amor, eu pensei em Drão. Eu queria que ela tivesse sido escrita pra mim, por um ex marido - ou ex qualquer coisa - demonstrando total amor, afeto e ternura por mim.
As separações são difíceis, causam dor, tristeza e deixam marcas. Mesmo aquelas terminadas em comum acordo, sem brigas ou ofensas, não deixam de ser tristes.
Gil fez a canção em 1981 para Sandra, no momento em que se separavam de um casamento de 17 anos que deu à eles três filhos (um deles, a cantora Preta Gil). E eu me pergunto: porquê todos os términos não poderiam ser assim?
Ninguém é obrigado a ficar com quem não ama só pq existe um casamento, um compromisso. Todos nós estamos sujeitos a tudo nessa vida, todos os dias. O amor carnal, a relação entre homem e mulher pode sim acabar, mas o respeito e a amizade não.
Odeio aquela frase “se acabou é porque não era amor”. Não concordo. É possível que tenha existido amor em uma relação, mas que infelizmente a vida a dois chegou ao fim. Faz parte da vida.
É impossível jurar amor eterno à alguém. Passamos por diversos momentos, situações, conhecemos um bando de gente, nos modificamos. Somos seres humanos!
E também não é vergonha pra ninguém perder uma pessoa que ama na vida. Todo mundo tem o direito de ser feliz e recomeçar, e isso, na minha opinião, inclui tentar reconstruir a vida ao lado de outra pessoa. O que eu penso basicamente é: quem ama, quer estar junto. Isso é primordial!
Também não gosto quando falam: “Ah, meu casamento de 30 anos acabou porque não deu certo”. Como assim, não deu certo? Os 30 anos simbolizaram o quê? As pessoas não deveriam pensar assim. Um casamento que durou 30 anos deu certo sim, deu mais que certo, mas infelizmente algo se modificou. Pode ser você, pode ser o parceiro, pode ser a relação. Existem diversas possibilidades.

O verdadeiro amor não morre, ele se transforma, e Gil mostrou exatamente isso na letra que fez para sua ex mulher. E ela assumiu que ouve com carinho, todos os dias a sua música tocar na rádio. Quer amor mais lindo do que esse?


Drão
O amor da gente
É como um grão
Uma semente de ilusão
Tem que morrer pra germinar
Plantar nalgum lugar
Ressuscitar no chão
Nossa semeadura
Quem poderá fazer
Aquele amor morrer
Nossa caminhadura
Dura caminhada
Pela estrada escura...

Drão
Não pense na separação
Não despedace o coração
O verdadeiro amor é vão
Estende-se infinito
Imenso monolito
Nossa arquitetura
Quem poderá fazer
Aquele amor morrer
Nossa caminhadura
Cama de tatame
Pela vida afora

Drão
Os meninos são todos sãos
Os pecados são todos meus
Deus sabe a minha confissão
Não há o que perdoar
Por isso mesmo é que há de haver mais compaixão
Quem poderá fazer
Aquele amor morrer
Se o amor é como um grão
Morre, nasce trigo
Vive, morre pão



6 comentários:

  1. Amiga, lindo o seu comentário e linda música também. Você disse tudo em poucas e sábias palavras e te confesso que nem sempre já sabemos tudo isso logo de cara mas com o passar do tempo, entre erros e acertos aprendemos.

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  2. Tão lindo seu post! (que eu não sei o nome, pois desde que vc mudou o layout aqui na EG não abre tudo direito, principalmente imagem e vídeo...)
    Achei muito bonito. E eu adoro essa música, Amo Gil. AMOOO saber as histórias da música. AMO letras e acredito que ela é sempre feita pensando em algo, em alguma história...

    E não precisa ter uma música feita pra vc...podem existir músicas que já faz alguém pensar em você ou até mesmo que esse alguém já a ofertou para vc....eu tenho músicas assim...rsrs

    Achei lindo! E tão emocionante!

    Ótima semana!!!

    bjs

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  3. Querida, é muita auto-flagelação intelectual comparar texto como este a abominações literárias como as daquele blog do qual falamos ontem.

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  4. Adorei o post branquela, adorei a música, adorei a história, adorei tudo. Não há definição quando se ama ou se deixa de amar. O importante é continuar sempre amando, separando, acertando e errando, é assim que somos moldados diariamente...Amei....

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  5. Dancei essa música no jaz, em 1997, eu acho. Linda.

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  6. Realmente o amor se transforma. Algumas pessoas que passam pela vida da gente simplesmente não saem mais, apenas o papel que elas têm é que se transforma. E concordo plenamente que quem ama quer estar junto. Pô, quantos blogs vc tem? rs, bjs

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