segunda-feira, 5 de julho de 2010

Competência X Sorte

Hoje estava voltando para a casa ouvindo o programa Estádio 97 como de costume. A derrota do Brasil para a Holanda na Copa faz uma semana amanhã e a galere ainda busca os motivos para o chamado fracasso da seleção brasileira. Cada um tem uma versão para a derrota e o seu respectivo culpado. Quemn é o maior culpado, o Dunga ou o Felipe Melo? Faltou o Ganso ou o Neymar? O técnico xucro tá certo ou errado? Seis volantes é muito ou não? E o Kaká, zuado, deveria ter sido chamdo? A seleção tinha uma boa estrutura emocional? Pq levou um baque no segundo tempo da partida?
Enfim, as teorias são diversas, é claro que existem muitos fatores que contribuem pra derrota mas o pessoal não entende a máxima de que ganhou quem teve mais sorte e competência. Acabou. Não tem essa de jogar com um a menos dificulta, que o gol cagado foi culminante ou que se aquela bola do Kaká tivesse entrado, a história seria outra. Perdeu pq tinha que perder. Ganhou quem mereceu. E fim de papo!

E a equipe do programa engatou em um papo sobre qual a importância de se ter competência e ter sorte. Um deles citou que muitos jogadores não mereciam ser campeões mundias pela seleção como Emerson, Edmilson e Vampeta - e que outros, ao contrário, mereciam o título mas nunca tinham conseguido o feito, como Falcão e Zico. É claro que o elenco é quem ganha e não só um jogador por isso eu discordo dessa tese. Não podemos falar que o Emerson deu sorte e por isso foi um campeão mundial. Tá errado! O cara não foi parar lá à toa, certo? Ele foi convocado por merecimento, por competência e, junto com os outros companheiros e um punhado de sorte, conseguiu ser um atleta campeão. O Zico foi um baita jogador, ninguém pode negar. Mas quando perdeu o pênalt na Copa de 1986, nas quartas de finais quando o jogo estava empatado em 1X1 com a França, faltou um tiquinho de sorte na hora da cobrança, não?!

Enfim, é difícil classificar um destes fatores como mais importante, na minha opinião, os dois devem caminhar juntos. E isso se aplica não só no futebol, mas também em nosso cotidiano. Na minha área de trabalho (jornalismo), por exemplo, vejo muito disso. Muitos profissionais precisam de um "empurrãozinho" ou de um "QI" pra poder seguir em frente e isso é absolutamente normal. Este é o chamado processo de SORTE, de conhecer a pessoa certa que pode te indicar para um lugar bacana. Mas a sua trajetória não se sustenta apenas com essa mãozinha. Sem talento e competência, não tem help que dê jeito. Você tem que ser merecedor do trabalho, se mostrar apto e ter comprometimento para ter sua vaga garantida, concordam?! Eu acho que é isso, você precisa unir a sorte (ter bons contatos e ser perseverante) com sua competência.

A Veja São Paulo desta semana mostra uma entrevista bem legal com o Tiago Leifert, apresentador do Globo Esporte da Rede Globo. O cara é super novinho, descolado e está fazendo o maior sucesso no comando do programa e das transmissões da Copa. Foi taxado de "filhindo de papai" no começo da carreira - e vamos combinar que é mesmo, o pai do cara é influente na TV e o Tiago teve oportunidade de estudar em lugares bem bacanas, como por exemplo, Miami - mas se mantém no posto de apresentador por causa do seu talento, é claro. A entrevista é super curtinha e vale a pena ser lida. Aqui.

E, com este assunto na cabeça, comecei a pensar na minha trajetória jornalística e pude perceber que uno um pouquinho das duas coisas no meu histórico. Sempre trabalhei onde quis e pude mostrar minha competência na maioria dos lugares onde passei. Minha única frustração foi não conseguir trabalhar em uma televisão, como produtora, que por alguns anos foi o meu sonho. Eu não tive sorte, me faltaram contatos, QIs e disposição para ser tão insistente. Desisti e voltei a fazer aquilo que já sabia e segui minha vida.

Se eu tivesse um pouquinho do espírito do lateral direito Cafu dentro de mim, quem sabe, a história poderia ser diferente. Marcos Evangelista de Moraes começou sua carreira em 1989, no São Paulo Futebol Clube após ser dispensado de NOVE PENEIRAS. NOVE! Isso é o que eu chamo de peristência! E o cara, em um certo momento da vida deu SORTE e foi aprovado em uma delas.
Porém, sem sua competência e talento jamais teria levantado a taça de Campeão Mundial como capitão da Seleção Brasileira de Futebol, em 2002, com 36 anos de idade. Cafu é o cara, é a união de sorte e competência que deu prá lá de certo!

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