quarta-feira, 21 de abril de 2010

Eu me vacinei e é verdade!

Não me perguntei como e pq, mas o fato é que eu tive a idéia estapafúrdia de tomar a vacina contra a Influenza H1N1 ontem. A Júlia lá do escritório teve a brilhante idéia de pesquisar se tinha algum Posto de Saúde perto do nosso trabalho e infelizmente achou um.

- Vamos tomar a vacina, gente? - disse a Júlia
- Peraí, quando? - respondi perplexa
- Hoje. É aqui perto, vamos lá?
- Não, calma... não é assim. Que tal amanhã?
-Tá, pode ser. Vamos deixar marcado e não vamos mais falar sobre o assunto - finalizou a Julia, tão cagona quanto eu
- Beleza!

E ficou assim. Tudo combinado, nada resolvido e sem ninguém tocar no assunto.

Voltei pra casa e no dia seguinte (ontem, terça-feira) enquanto me trocava lembrei desse nosso compromisso agradável. Mas nem dei muita atenção, afinal, se eu decidisse não ir mais eu desmarcaria e pronto. Já foi o tempo em que me levavam arrastada para tomar injeção no Odair e em qualquer outro lugar.

Cheguei na firma e todo mundo falando da vacina. "É hoje, hein?", soltou a minha querida amiga espírito de porco com um sorriso nervoso no rosto. Pensei comigo: "Opa, é hoje mesmo que eu vou dar o Pelé Eterno nessa vacina".

Bom, combinamos que iríamos perto da hora do almoço, assim, faríamos as duas coisas de uma só vez. O Bruno também decidiu ir, achei ótimo ter um homem por perto para segurar eu e a Júlia na hora do desmaio e tudo mais quando o menino me lança "Eu também tenho medo de agulha!". Socorro, Brasil! Quem vai me abanar na hora da tontura?

Eu só sei que o horário combinado foi adiantado em quase duas horas pq o Bruno tinha uma reunião que iria começar às 13h, portanto, umas 11h30, lá fomos nós rumo ao Posto de Saúde. A Bárbara que trabalha no RH também foi com a gente e afirmou ser bunda mole também. Cacete, viu?! Fomos os quatro, morrendo de medo, mas fomos.

Por falar em medo, eu o classifico em etapas nessas horas de aflição. Na primeira etapa você tem que ter a coragem de decidir tomar a vacina e depois vem as outras fases que eu vou narrar já já.

Chegando lá, uma fila gigaaaaa. Um monte de gente esperando ser vacinado debaixo daquele sol de meu Deus. Etapa 2 do medo: enfrentar a recepecionista e aguardar na fila.
Aquela ansiedade vai crescendo conforme a fila vai andando. Aí você não consegue parar quieta e não deixa ninguém triscar no seu braço pq já sente a dor.
Aí eu saí um pouco da fila e fui ver como era o lugar que a galera estava sendo picada. Nossa, uma salinha pequena, obscura e assustadora era o lugar do abate (mentira gente, era uma sala normal). Etapa 3 do medo: Conhecer o local onde você tomará a injeção.
E a fila andando, andando... E as pessoas iam saindo, segurando um algodão em cima da picada e nóis íamos questionando: "Doeu, moço?", "É ruim, moça?", tipo uma pesquisa.
Chegou uma hora, quando estava quase chegando a nossa vez, o meu siricutico começou a crescer gradativamente. Etapa 4 do medo: Ser forte e não desistir.
Minhas mãos e pés começaram a suar, meu coração batia a mil por hora e eu já sentia que ia peidar na tanga.
Bom, eu saí do escritório dizendo que seria a primeira a tomar a vacina. Chegou na hora, eu cedi meu lugar pra Bárbara. Mas só, depois dela, eu entrei na salinha. Etapa 5 do medo: Engolir o choro e parar de chamar pela sua mãe.
Eu sei que cheguei lá falando que eu tinha muito medo e demonstrando pavor. E pra ninguém ver a minha cena patética, eu fui até a porta e fechei-a na cara dos meus colegas de trabalho.

Olhei pra enfermeira e comecei:
- Moça, eu tenho muito medo!
- Sério? Mas é rapidinho
- Eu sei, mas eu passo mal
- Tenta se acalmar
- Ai moça, não consigo
- OLHA, ENTÃO VÊ O QUE É MELHOR PRÁ VOCÊ. SE NÃO QUER TOMAR, NÃO TOMA!

Tomou, trouxa? Podia dormir sem essa. Última etapa do medo: Relaxa o bracinho, fecha os olhinhos e se entrega.
Depois disso eu dei o braço e... é goooooooooooooool, que felicidadeeee!
Foi suuper rápido e nem doeu nada mas a tontura veio mesmo assim. A pressão caiu, eu fiquei pálida, comecei a suar e abaixar minha cabeça pro sangue circular. Todo mundo veio me acudir, até a Júlia, cagona estava lá, em pé, firme e forte me olhando com aqueles zóião verde.
Jesus me abana daqui, segurem minha bolsa de lá, forcem a minha cabeça e me tragam água. Fui me recompondo, voltando à minha cor branca habitual. Quando olho para o lado, me deparo com uma menina que está fazendo o mesmo ritual que o meu. E detalhe: ela nem tinha tomado a vacina ainda (tadinha!).
Aí a Júlia, com o intuito de me alegrar solta em alto e bom som a seguinte frase:
- Pôxa Rô, você tá bem melhor que ela. Olha a cara da menina, tá beeem mais branca que você.

Desnecessário, né?!
Bom, depois de todo esse auê fomos almoçar. Eu, toda feliz e saltitante por ter enfrentado o meu medo e tomado a vacina, o Bruno se achando o maior dos corajosos pq pode comprovar que tem gente pior que ele, a Bárbara tranquila, de boa e a Júlia reclamando que não acreditava que tido tomado a injeção, que tinha doído e que o braço dela estava doendo muito.
Eu passei o dia contando essa minha façanha pras pessoas. Liguei pro meu pai e pedi presente por ter tomado injeção e ele disse que iria me comprar figurinhas.

Enfim, passou. À noite, meu braço começou a doer. Sério mesmo. Eu sentia o líquido circulando pelo meu corpo. Na hora de dormir, não conseguia. Não achava uma posição confortável, mas peguei no sono.
Quando acordei, mandei um torpedo pra Júlia: "Jú, como vc tá? Meu braço doeu a noite e foi ruim pra dormir. Agora estou um pouco melhor". E ela me respondeu: "O meu também. E ainda tá doendo. Não pára!"
Hahaha, dei risada. Imaginei a Júlia, alta, linda, com aquela voz igual a da Luciana Gimenez falando isso perto de mim.
Definitivamente, o melhor disso tudo não foi ter encarado a vacina, foi ter a Júlia ao meu lado, pegando meu RG e entregando pra recepcionista, me convencendo a ir ao PS e me incentivando a não desistir, me empurrando sutilmente pra salinha obscura e me divertindo deveras. Ganhei uma ótima companheira de aventuras \o/

4 comentários:

  1. Hahahahaha
    Adorei o "sutilmente"!!! Hahahaha
    O pior é que é verdade, somos vencedoras. Estamos de parabéns!
    Mas ainda esta doendo... vacina do inferno!
    Hehehehehe
    Achei liiindo Ro! Você é a MINHA companheira de aventuras... \o/

    Beeejinhos

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  2. Ah, obrigada por falar da pequena parte que me cabe: o incentivo que lhe dei. Obrigada mesmo! Na próxima vez vou dizer que dói, mesmo não doendo. E tb deixo aqui a pergunta que já me fizeram milhões de vezes:
    - Como você terá filhos desse jeito?!

    Retiro o orgulho que senti por vc. Pede para a Julia ficar orgulhosa e na próxima vez liga pra ela tb.

    HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

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  3. Tudo bem desmaiar porque tem medo de agulha, tudo bem desmaiar porque tomou vacina, agora...
    vamucombiná lindaaaa... desmaiar porque ia fazer um tererê SÓ VOCÊEEEEEEEEE!
    hahahhahahaha

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  4. Roberta, eu socorri uma mocinha que passou mal no mei da rua depois de tomar a vacina! Estava descendo uma ladeira e ela me 'ultrapassou' e eu percebi que ela estava bem cambaleante, daí ela parou, encostou e falou pra mim "Moça, eu vou desmaiar!" Hahahaha Imagina a cena! Deitei a pobre no chão pra não ter perigo de bater a cabeça né e fui até a casa dela, a poucos metros avisar o pai.
    Agora dá pra rir, mas na hora fiquei com muita pena. Será que não tinha um FDP pra ir com essa pobre tomar vacina? Ô dó!

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