quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Ao Mestre, com carinho!

Dia dos Professores hoje, hein?!
Se ainda estudasse, iria me esbaldar em um feriadinho, but...
Essa data me fez lembrar algumas pessoinhas:

- Mamãe.
Sim, ela era psôra (como seus aluninhos marginais decentes do Pq Novo Mundo a chamavam) e dava aula para crianças de 1ª à 4ª série.
Já estudei na mesma escola em que ela trabalhava, no Romão Gomes. Fiz a 1ª e a 2ª série lá. Lembro muito bem dos alunos dela e da maneira como lecionava.
Xucra! Sim, Mamãe era linda, tinha os olhos verdes, mas era beeem xucrinha (entenderam de onde vem tamanha simpatia da minha pessoa?). Tacava giz nos alunos que não prestavam atenção, gritava horrores, fazia cara de brava e dizia que era uma pena não poder bater em aluno mas que nessas horas de nervoso, ela puxava o cabelo da criança, assim, bem na parte de baixo da cabeça, aquele cabelo no finalzinho do cucurutu, sabe?! Era um bom jeito de extravasar, afinal, puxar cabelo não deixa marca, logo, os pais da criança nunca iriam provar tal agressão. Sádica, não?!
Sim, essa era a Profª Rosa Grilo, que mesmo sendo assim (digamos, enérgica) era adorada e idolatrada por seus alunos. Recebia centenas de cartas e presentinhos. Só não gostava de ser chamada de tia pelos alunos. Quando a chamavam assim, ela logo retrucava: "Sou irmã do seu pai ou da sua mãe? Não! Então eu não sou sua tia!". Sentiu a delicadeza, né?!
Lembro muito de quando ela falava para o meu Pai: "Podem me tirar tudo nessa vida, menos a minha escola!".

- Profª Ana Orlandi
A psôra lá do Romão Gomes, da 1ª série. Essa a gente nunca esquece.
Foi ela que me ensinou a ler e a escrever. Eu lembro dos meus primeiros dias de alfabetização. Achava o máximo poder ler cartazes nas ruas e escrever frases nos cadernos.
Ela era muito calma e paciente. Era uma das melhores amigas da minha mãe, mas nem por isso me tratava com preferência. Ela era muito bacana!

- Profª Cidinha
Essa louca que vocês estão vendo na foto ao lado, foi minha psôra na 2ª série (tb no Romão Gomes). Uma experiência traumática!
A Cidinha foi casada com um primo da minha mãe e dava aula na mesma escola que ela, logo, eu fui aluna da minha prima de segundo grau.
Essa pessoa gritava. Quer dizer, berrava! Eu tinha um medo da porra dessa mulher.
Fora que ela escrevia e sussurava qualquer coisa ao mesmo tempo. Era assim, quando escrevia algo na lousa, quando corrigia prova, quando assinva cheque, pra qualquer coisa escrita ela sussurava, geralmente ia repetindo pau-sa-da-
men-te o que ia es-cre-ven-do.
O trauma se deu quando ela se dirigiu até a minha carteira (aaafff, sou do tempo da carteira!) para ver meu caderno.
Ela gostava de tudo colorido, exigia que desenhássemos florzinhas nas bordas das folhas, que fizéssemos um cabeçalho gigantesco e que acrescentássemos a previsão do tempo (tipo:"hoje o dia está ensolarado!" + desenho de solzinho) e essas paradas nunca me agradavam.
Pois bem, nesse belo dia que ela foi até a minha carteira, eu estava usando uma borracha com o desenho do Fofão bem vagabunda que conforme eu ia apagando as paradas que escrevia, a folha do caderno ficava preta, borrada, imunda, um lixo. E a Cidinha viu toda essa porcaria lá no caderno.
Eu sei que baixou o Satangos naquela mulher de 1,55m com o cabelo tingido de loiríssimo puro e a reação dela me fez chorar. Lembro até das palavras:
- Ah Roberta, faça-me o favor!
E depois disso, de maneira bem direta, a psôra rasgou umas três folhas do meu caderno. Rasgou, picou e jogou no l-i-x-o! Toda aquela matéria que eu tinha copiado da lousa, ela rasgou, assim, na minha frente. Rasgou e saiu andando. Foda-se eu!
Aí eu fui chorar pra minha mãe na sala dos psôres mas e daí, né?! A mulher além de tudo era prima...
Mas a Cidinha é gente boa. Hoje não temos muito contato pq ela separou do primo (acho que, independente disso, ela não é mal amada!) mas sempre que a vejo dou muita risada com suas histórias e seu jeitão extrovertido.
Ela é toda moderninha. Aposentada porém moderninha!

- Paulo Maluf
Pôxa, eu lembro do Malufão no dia dos Professores, sim. Afinal, a maioria dos Mestres votam (ou votavam na década de 90) no Sr. Paulo.
Minha mãe era uma delas, mas deixou de ser malufista pq ele não dava aumento pra classe e além do mais, soltou a seguinte frase, célebre e famosa: Professora não ganha mal. É mal casada!".

Pô Malufão! Xinga mas não ofende, né?! Estupra mas não mata! Fala sério...
E como eu tenho os dom de seguir este Senhor no twitter, deixo aqui o último recado que o mesmo postou em sua página recentemente:
"Gostaria de parabenizar todos os professores e professoras neste dia, pois vocês são muito importantes para este país".

Viram como ele se redimiu?
Acho que ele abriu uma excessão com as mal amadas hoje hein, Cidinha?!


Ps.: Um grande beijo para todos aqueles que fazem muito por nós mesmo ganhando tão pouco!

Um comentário:

  1. para ser sincera roberta nina galisteu esses alunos marginaizinhos mesmo merceriam bem uns safanões viu? mesmo por que eles não recebem educação dos pais em casa que deixam seusfilos fazerem tudo o que querem.

    eu tive alguns professores totally crazy tambem tive um tarado e qualquer dia te conto as estórias dele e as que eu tão boazinha aprontei com ele, enfim...

    mas parabens pelo post, pelas lembranças que teve e fez agente ter e parabens para os mestres que tivemos e que ainda teremos.

    bjs

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